segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Falam falam mas não dizem nada de conveniente '--

Dia 18 de Dezembro. Último dia de aulas, ansiedade nos corações dos alunos. Serenidade no meu. São cerca das 9 horas da manhã, encontro-me na aula de História. Tudo corre bem até ao momento em que a Sr. Dra. Professora Ana Simão decide comunicar a avaliação dos postais (trabalho que a mesma tinha pedido para os alunos fazerem). Aí, tudo começa a mudar de cor. Um dos postais que eu tinha concebido apelava ao não preconceito contra as minorias. E a homossexualidade estava nesse postal retratada. De uma forma muito simbólica e com imagens nada chocantes. A professora em causa teve a distinta lata de dizer que por ser preconceituosa não podia dar ao trabalho a nota máxima(não por estas palavras). Achava ela que o trabalho apelava á homossexualidade, sendo de longe a minha intenção, e dizendo não se importar com a minha sexualidade. Pensava ser demasiado forte a mensagem que eu queria passar (pois não percebeu a mensagem que eu queria passar). Desta forma, tendo ela me dito isto em voz alta e perante toda uma turma, os meus colegas começam a falar acerca disso.
Que por eu não ter manifestado contra a opinião da professora, seria sem dúvida (para eles) uma forma de comunicar a minha sexualidade. O que mais me chateia não é eles terem falado de mim, pois a isso já me habituei, mas sim o facto de terem falado quando eu não estava presente.
Esta historia para que? Perguntam vocês. Eu quero apenas dizer que as pessoas são ignorantes e cobardes. Pois não me dizem a sua opinião na cara, andando a dizer nas minhas costas. Não tenho problemas com isso. O que lhes dói mais a eles, é o que me faz subir na vida.
Esses seres menores a mim não me aquecem nem me arrefecem, pois sei que na minha vida há pessoas que gostam de mim e que me respeitam. Que me protegem e que sabem aquilo que verdadeiramente sou. Isso para mim é o mais importante, e que me faz viver.
Peço desculpa pela minha prolongada ausência e pela falta de qualidade deste texto. Apelo á vossa compreensão e prometo brevemente trazer até vós novos post’s.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Sofrimento estúpido

Um metro e setenta e cinco centímetros, sessenta e dois quilos, cabelo castanho escuro e ondulado, olhos da cor do cabelo, nariz pequeno, lábios carnudos, depilado, S de camisolas, 38 de calças e 40 de sapatilhas. É tudo que tenho a dizer acerca do exterior. E o interior? Isso é o mais importante… Mas porque será que ninguém lhe dá valor?
Sofrer comigo mesmo tornou-se um passatempo e isso fez-me mal, muito mal. E encontrei um “ombro” amigo. O meu novo melhor amigo, o teclado do computador, que tal como todos já deve estar farto de mim.
Tenho a sensação que sou um estorvo para todos. Não o sou, ou pelo menos dizem-me não o ser para que não me sinta pior do que o que já me sinto. Mas até me provarem o contrário eu ficarei com esta ideia.
Sempre tive muito cuidado com o que digo e faço às pessoas que me rodeiam, porque não gosto de magoar ninguém, mas muitas vezes esquecem-se que eu também tenho o direito de não ser magoado.
Sem vontade, de minha parte, de enfrentar uma realidade, começo a afastar-me de tudo e todos. Acabo sozinho, na lama… Choro como um tolo, mas chorar faz bem. Tenho dias em que inconscientemente me encontro na rua, cheio de pessoas que não conheço a acharem-me um coitadinho por eu estar triste e a derramar lágrimas de sofrimento. Baixo a cabeça, escondo-me debaixo da minha tristeza.
Amigos dão-me força, mas eu estupidamente e também com orgulho, recuso recebe-la e prefiro afastar-me. Pode haver quem julgue que é uma forma de chamar a atenção de toda a gente, mas não, se sofro é porque sofro, e se chamo é porque sou importante para as pessoas, apesar de muitas vezes não acreditar. Mas como disse tenho dias em que não quero ver ninguém, e esses dias têm assolado os meus últimos meses. Por uma razão ou outra isso acontece. Mas se sou capaz de me afastar da minha vida (ou seja, os meus amigos) também sou capaz de lutar com todas as forças pela felicidade. Ela não está longe, eu é que corro demasiado devagar…

«''3


Lá vão uns cinquenta mil dias, talvez menos, uma pessoa aparece na minha vida. Ao inicio não dei valor, mas depois… depois aos poucos tornou-se mesmo especial. Sempre a dizer que me amava, o que era verdade, e eu sempre de pé atrás, pois nunca o amor foi simpático para mim (e continuou a não ser). Mas acabei por ceder. Ambos gostávamos um do outro e então começamos a namorar. Tudo parecia um mar de rosas. Todos os dias estávamos juntos, e não tivemos problemas nenhuns em iniciar uma vida sexual. Tudo era bonito, os primeiros dias de namoro foram para mim dos melhores que já tive. Ate que tudo começa a mudar…
Passou a haver desculpas para não estarmos juntos: a chuva, problemas de saúde, a disponibilidade, os testes, sessões sobre a sida, a presença de familiares em casa, tudo servia para não estarmos juntos; a actividade sexual extingue-se, começam a aparecer discussões estúpidas por tudo e por nada, e começa a relação a desmoronar-se. Torna-se tudo muito frágil.
Ao sétimo dia de um mês qualquer do presente ano, tudo acaba. Porquê? Queria uma resposta mais concreta, mas ao que tudo indica, a pessoa que amo, apesar de o negar, sente atracção por outra. Depois perguntei se não queria lutar para que a relação perdurasse e recebo uma resposta que me deixou com as lágrimas a escorrer pelo meu rosto desolado: “Não, não acredito que funcione.”
Pensei em deitar-me de uma ponte abaixo, mas voltei a pensar, limpei as lágrimas e senti-me com forças para lutar por uma vida nova. Eu, como todos os jovens, sou capaz de ultrapassar tudo, e depois de dar um passo atrás, vou conseguir dar dois para a frente e subir uma escadaria.
Eu sempre tive medo de me apaixonar, mas arrisquei, pensei que fosse diferente, mas o sofrimento voltou a assolar as minhas relações. Pergunto-me porque arrisquei. Não sei responder, mas não me arrependo. E se me perguntarem se eu esqueci, eu respondo que não. Não é fácil de esquecer uma coisa que me marcou muito. Ouvi muitas vezes, de parte dessa pessoa, que nós iríamos ficar juntos para sempre, nunca acreditei. E ainda bem que não, pois agora seria bem mais forte a dor que senti.

*A pessoa de quem fala o texto sabe bem quem é. Espero que essa pessoa saiba que eu a amo muito «3

Homem = Mulher, porque não ?


Ando com a mania da diferença. Não sei porque, talvez seja por eu o ser, mas pela positiva. Ou talvez seja porque começo a fartar-me de tanta distinção numa sociedade do século XXI. Porque razão uma mulher não pode ser igual a um homem? Não são ambos seres humanos? Às vezes parece que não. Por exemplo, um homem bater numa mulher é digno de ser chamado de HOMEM? Duvido. Chamaria, em vez de homem, cobarde. Um cobarde que bate numa mulher ou para se gabar no café diante dos amigos, ou apenas por prazer, só para que todos achem que ele é um grande homem. Há um ditado popular que muitas vezes ouvimos sair da boca de muitos homens, aos quais tenho coragem de chamar NOJENTOS: “Mas quem é que veste as calças aqui?” ou perante outros membros da mesmo comunidade animal: “Mostra-lhe quem é que veste calças em casa.” Claro que já perceberam que falo de VIOLÊNCIA DOMÉSTICA. O tabu para muitas pessoas. Muitas delas, maioritariamente mulheres, por sofrerem desse tipo de violência, e tendo medo das consequências de falar disso preferem não falar. Preferem esconder-se debaixo dos óculos de sol que escondem um olho negro, ou debaixo de uma camisola de gola alta (mesmo no verão) que não deixa ver as nódoas negras. Tudo lhes serve para esconder as violentas investidas dos conjugues. Mas e porque não deixar de se esconder e enfrentar os (as) companheiros (as)? Medo das consequências de uma queixa na polícia. Mas temos que, apesar de todos os acontecimentos não estarem muito a favor, acreditar nos nossos polícias.
Não pensemos que são só as mulheres que sofrem de violência doméstica. Mas, tal como referi no inicio da crónica, ainda há grande distinção. Se uma mulher é agredida pelo marido é uma coitada, uma fraca; mas se por outro lado é o homem que sofre do mesmo problema, já é muito bem empregue a violência e acham que é merecido. Esta opinião é no contexto geral, derivado da generalização por parte da sociedade, que acha que se as mulheres sofrem por causa da violência em casa, o homem, que é o principal agressor também merece sofrer. Assim, o pequeno número (que tende a aumentar) de homens agredidos serve de compensação para a violência com as mulheres.
Mas não é só neste contexto que a mulher é inferiorizada para com o homem. Já muitos protestos de parte da classe trabalhadora feminina vieram chamar a atenção das pessoas que o homem, mesmo tendo o mesmo cargo profissional, tem um salário superior ao da mulher.
E em determinadas tribos em que a mulher nem humana é considerada? Em que a mulher é posse dos homens e sofrem de torturas imagináveis na nossa sociedade. Também são as mulheres as principais vitimas de exploração sexual.
Será que não se lembram que a mulher também é um ser humano?

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Violação online

Sara (nome fictício) tinha estado horas a fio no computador. Uma discussão com o seu pai tinha deixado na sua cabeça um desassossego. A juntar a isso ela queria de qualquer forma, tal como a maior parte dos jovens, arreliar os pais.Que forma é que ela arranjou? Já há cerca de uma semana que andava a falar com um desconhecido pela internet. Usou esse trunfo que poderia ter sido fatal. Marca um encontro com ele, sem o conhecer, e da forma mais estúpida e infantil que poderia ser: num local escondido, sem vivalma, apenas as baratas e outros bichos de esgoto lá deviam parar.
Ela começa a suar das mãos, e o seu corpo arrepiava-se de tanto pavor. Vestia-se de medo e arrependimento de cima a baixo. E por falar em vestir, os trapos que trazia, pouco do seu corpo moreno e desenvolvido para a sua idade, conseguiam tapar. De tão aterrorizada que estava, parecia que os cabelos lhe arrepiavam, tal como estava o seu corpo.
De repente um vulto sai das sombras da noite, e chega-se a ela. Um homem de barba rija e com ar muito mais velho. Ela olhou para ele e ficou ainda com mais medo. O mundo dela parou. O homem já sabia quem aquela rapariga era. Ou melhor, sabia que tinha sido com ela que tinha falado pela internet, e com ela que tinha trocado fotografias(sendo de calcular que as dele, a ele não pertenciam). Começou a beija-la, a tocar-lhe em sítios que ela não desejava. Inicia-se uma prática sexual que ela não desejou e sonhou poder acontecer. Já nada havia a fazer. Violação é o nome dado á situação. Ela fez coisas obscenas que não vou citar, ou talvez o possa fazer: sexo oral e penetrações violentas. São pouco fortes as palavras para descrever a dolorosa situação pela qual Sara passou. Mas o que acontece depois? Consegue fugir daquele homem nojento Ele tenta correr atrás da jovem, mas ela com combustível de medo e de agitação juvenil conseguiu escapar-lhe.
Entrou em casa, com um pé descalço e outro calçado com a sapatilha toda enlameada. A correr e com as lágrimas nos olhos a escorrer-lhe pelo rosto aterrorizado entra dentro do quarto, e chora não como uma rapariga mimada tal e qual o inicio da história, mas sim como uma rapariga violada.
Claro que tinha que enfrentar os pais, contar-lhes e fazer queixa na polícia. Mas o que será que fez ela? Talvez o mesmo que tu farias, NADA.

Diferentes ou não!


A diferença será uma coisa boa ou má? Mais perguntas às quais começa a ser difícil de responder.
Ser diferente é distinguir-se no meio da multidão. É preciso é saber ser-se diferente. Porque me haverei de distinguir por ser um rufia ou um ladrão, se posso ser distinto por ser um ambientalista ou um protector dos direitos humanos? … Ora uma boa temática surgiu: Direitos Humanos… Todos queremos os nossos direitos no bolso mas esquecemo-nos dos nossos deveres, como o de respeitar os outros. E na sociedade actual, apesar de já muito avançada, ainda há muito aquilo a que chamamos de PRECONCEITO. Ainda não há respeito pelas opções dos outros. As minorias são as sacrificadas. Pessoas com deficiências, estilos, raças, e com opções sexuais diferentes (entre outras) são para a sociedade o cancro humano. Uma pessoa que seja diferente é julgada nos tribunais de rua, por juízes não qualificados para isso. São os cidadãos com mentes retrógradas que ainda não aceitaram a mudança, que são os principais “julgadores”.
Muitas vezes esquecem-se que todos podemos ser normais num momento, mas diferentes noutro.
Deixemo-nos de eufemismos, todos nós podemos ter um acidente e ficar deficientes. E depois? Depois de termos sido tão preconceituosos agora somos vítimas do preconceito. Torna-se difícil, não se torna?
E um pai(ou uma mãe) que julga os homossexuais? De repente percebe que o(a) seu(sua) filho(a) sofre, por causa de pessoas como ele, que o discriminam? Aí talvez perceba que o preconceito nos pode bater á porta, e mesmo que não seja convidado a entrar dentro de nossas casas, entra sem que o possamos impedir.
Assim, retomando a perguntaA diferença será uma coisa boa ou má?
, apercebemo-nos que má não é, porque quem consegue ser forte para ser diferente, é o suficiente para lutar contra a discriminação.

Rétoricas, nem sempre são rétoricas


Será que é quando me sinto pior que me apetece escrever? Talvez. E é por isso mesmo que comecei a escrever. Não é que tenha muita criatividade, ou perícia literária, mas tenho a suficiente para dizer o que sinto.

Dentro de mim sinto um vazio. Rodeado de pessoas que, por mais especiais que sejam, porque o são, não me conseguem tirar este vácuo do coração. Mas se a vida é feita de coisas boas onde nos possamos agarrar, porque não tenho coisa alguma? Perguntas retóricas ás quais não consigo responder.


Talvez o que se diz de mim seja verdade. Talvez eu seja um fútil, um materialista, que só pensa em fazer todas as semanas compras. Mas para que me serve isso? Para nada, não posso vestir uma camisola ao coração para que ele fique quente, nem é com ar de ar-condionados dos shoppings que ele vai ficar preenchido.


É difícil explicar, por palavras, aquilo que estou agora a sentir. Chorar? Chorar já chorei e de nada me serviu; o coração continua igual e o sofrimento mantém-se. Talvez o melhor seja esquecer. Mas esquecer? Esquecer o que? Esquecer que nunca fui correspondido? Ou esquecer a pessoa que amo? Isso NUNCA. Essa pessoa é demasiado para mim. E onde está Deus ?Deus é uma treta. Ou não existe, ou esquece-se de mim. Ou talvez eu queira tudo de mão beijada. Não pode ser. Mas ter aquilo que quero, depois de ultrapassar obstáculos infinitos e passar pela lama, não será demasiado forte? Nem sempre se consegue o que se quer, lá isso é verdade. Mas eu só quero o teu amor, um beijo teu.


Eu só quero dizer a quem está apaixonado(a) por alguém, que não desista. Aquilo pelo qual eu estou a passar faz parte da vida, porque eu sei que um dia vou ter a minha recompensa, e tu também terás.